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A Capela do Fundador em Batalha com o túmulo esculpido de D. João I e D. Filipa de Lencastre

Mosteiro da Batalha — Porque Foi Construído (A Batalha de Aljubarrota)

A vitória de 1385 que definiu a independência portuguesa, o rei que construiu um mosteiro para cumprir um voto, e 150 anos de história da construção.

Atualizado em maio de 2026 · Equipa de Concierge de Batalha Monastery Tickets

O Mosteiro da Batalha existe devido a uma única batalha. A 14 de agosto de 1385, um exército português liderado por D. João, Mestre de Avis, derrotou uma invasão castelhana em Aljubarrota — assegurando a independência de Portugal e colocando D. João no trono como primeiro rei da Casa de Avis. Tinha feito um voto antes da batalha de construir um mosteiro se vencesse. Cumpriu o voto: a construção em Batalha iniciou-se em 1386 e prolongou-se por 150 anos.

A batalha e o voto — 1385

A Batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385) opôs um exército castelhano de cerca de 30.000 homens a uma força portuguesa mais reduzida, liderada por João, Mestre de Avis, aliado a arqueiros ingleses sob o comando de Sir John Hawkwood e Sir Henry Hartsell. A coligação luso-inglesa derrotou decisivamente os castelhanos; a batalha assegurou a legitimidade da reivindicação de D. João ao trono português e impediu que o reino fosse absorvido por Castela-Leão.

Antes da batalha, D. João fizera voto público de erguer um grande mosteiro dedicado à Virgem Maria caso saísse vitorioso. Cumpriu o voto: a construção teve início no ano seguinte, 1386, num local situado a 16 km do campo de batalha. A invocação é Santa Maria da Vitória. Mestre Afonso Domingues, o arquitecto, foi nomeado para dirigir as obras; o mosteiro foi confiado aos cuidados da Ordem Dominicana.

150 anos de construção — 1386 a 1533

A construção prolongou-se por 150 anos, ao longo dos reinados de sete monarcas portugueses. A igreja principal foi a primeira a ficar concluída (sagrada em 1402). A Capela do Fundador foi acrescentada entre 1426 e 1434 por D. Duarte em memória de seu pai D. João I — abriga os túmulos de D. João, de Filipa de Lencastre (sua consorte inglesa) e de quatro dos seus cinco filhos, incluindo o Infante D. Henrique o Navegador. O Claustro Real ficou concluído em meados do século XV. A Sala do Capítulo (que viria a acolher o Túmulo do Soldado Desconhecido) foi edificada em 1402, ostentando uma notável abóbada gótica de vão único — uma proeza de engenharia para a época.

As Capelas Imperfeitas, situadas na cabeceira nascente, foram iniciadas em 1437 por D. Duarte mas nunca foram concluídas. D. Manuel I (rei entre 1495–1521) acrescentou a decoração manuelino-gótica aos arcos do claustro — a fase mais ornamentada da história do edifício. A construção cessou em 1533, tendo a cúpula prevista para as Capelas Imperfeitas ficado por construir; o espaço permanece aberto ao céu até aos nossos dias.

O Túmulo do Soldado Desconhecido

A Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha acolhe o Túmulo do Soldado Desconhecido, memorial a todos os militares portugueses mortos na Primeira Guerra Mundial (1917–1918, na Frente Ocidental em França e em África). Dois soldados portugueses não identificados foram aqui sepultados em 1921 — um vindo de África, outro de Flandres — sob uma chama perpétua que arde continuamente desde então.

A escolha da Sala do Capítulo é intencional: a abóbada gótica medieval da sala (projetada pelo Mestre Afonso Domingues em 1402) é a maior abóbada gótica de vão único do mundo, uma proeza arquitetónica sem paralelo na sua época. Gerações de portugueses associaram o memorial à mesma narrativa heroico-nacional do mosteiro medieval. A chama perpétua e uma guarda de honra permanente são mantidas pelo Exército Português.

Classificação UNESCO e o sítio na atualidade

O Mosteiro da Batalha foi classificado como Monumento Nacional por Portugal em 1907 e inscrito pela UNESCO como Património Mundial em 1983 — o segundo sítio português (após o Mosteiro dos Jerónimos em 1983) a receber o estatuto de Património Mundial. A comunidade dominicana da Batalha foi dissolvida em 1834, quando o governo liberal português extinguiu todas as ordens religiosas masculinas; os edifícios passaram para a tutela do Estado.

Os trabalhos de restauro prosseguiram ao longo dos séculos XX e XXI, com grandes campanhas nos anos 30, 70 e 2010. O monumento encontra-se agora aberto durante todo o ano; o Túmulo do Soldado Desconhecido e a chama eterna permanecem um local de homenagem nacional a 11 de novembro (Dia do Armistício) e a 10 de junho (Dia de Portugal). Recebe anualmente cerca de 250.000 visitantes.

Perguntas frequentes

Porque se chama o Mosteiro da Batalha o Mosteiro da Vitória?

A sua designação completa é Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Foi mandado edificar por D. João I em cumprimento de um voto feito antes da Batalha de Aljubarrota de 1385, onde os portugueses derrotaram uma invasão castelhana e asseguraram a independência de Portugal.

O que foi a Batalha de Aljubarrota?

Uma batalha decisiva travada a 14 de agosto de 1385, na qual um exército português comandado por D. João, Mestre de Avis, apoiado por arqueiros ingleses, derrotou uma invasão castelhana de maiores proporções. A vitória assegurou a independência portuguesa e fez de D. João rei, fundando a dinastia de Avis. O Mosteiro da Batalha foi construído para comemorar esta vitória.

Quanto tempo demorou a construção do Mosteiro da Batalha?

Cerca de 150 anos, de 1386 a 1533. A construção prolongou-se pelos reinados de sete monarcas — D. João I, D. Duarte, D. Afonso V, D. João II, D. Manuel I e D. João III. A Capela do Fundador foi edificada entre 1426 e 1434, o Claustro Real em meados do século XV, a decoração manuelina foi acrescentada entre 1495 e 1521 por D. Manuel I. As Capelas Imperfeitas nunca foram concluídas.

Quem está sepultado na Batalha?

Na Capela do Fundador: D. João I (fundador), D. Filipa de Lencastre (sua esposa inglesa) e quatro dos seus cinco filhos — D. Duarte (futuro rei), D. Pedro, D. João e D. Fernando (o Infante Santo). Também o Infante D. Henrique, o Navegador (o príncipe que impulsionou a expansão marítima portuguesa). A Sala do Capítulo alberga o Túmulo do Soldado Desconhecido da I Guerra Mundial.

Quando foi a Batalha classificada pela UNESCO?

1983. A inscrição abrange todo o complexo monástico — a igreja principal, a Capela do Fundador, o Claustro Real, a Sala do Capítulo e as Capelas Imperfeitas. Batalha foi um dos primeiros sítios portugueses a receber o estatuto UNESCO.

Batalha ainda é um mosteiro ativo?

Não. A comunidade dominicana foi dissolvida em 1834, quando o governo português encerrou todas as ordens religiosas masculinas. Os edifícios passaram a propriedade do Estado e são atualmente um sítio patrimonial gerido pela DGPC. O Túmulo do Soldado Desconhecido na Sala do Capítulo é um local de comemoração oficial nos dias nacionais.